Hamburgueiros, admito que não sei o que ocorre comigo recentemente: vi não um, não dois, mas três filmes de terror/horror.

Falo isso porque não sou fã do gênero, de maneira geral: desgosto ficar tomando sustos bobos, aquela coisa de a pessoa olha para um lado, olha pro outro, a música estoura e pimba, susto! Porém, calhou de ver três quase em sequência: O Homem nas Trevas (Don’t Breathe), Quando as Luzes se Apagam (Lights Out) e Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2). Não fui sem saber aonde me metia: os 3 tem críticas acima de média para filmes de terror, com elogios que vão do roteiro, atuações e direção. Fiquei curioso. Assim deixei de lado meus receios naturais e os assisti.

Sorte de vocês que poderão agora me ver comparar um aos outros.

Atuações: Todos têm, de fato, boas atuações. Vi mais elogios ao Patrick Wilson e a Vera Farmiga, do Invocação, mas, acabei gostando mais do pessoal do Homem das Trevas: Stephen Lang, Dylan Minnette e Jane Levy – isso considerando os principais. É difícil comparar o elenco de apoio, já que o Homem das Trevas basicamente não tem um. No Quando as Luzes se Apagam achei a Teresa Palmer de uma inexpressividade notável, e teve que ser compensada pela Maria Bello e do Alexander DiPersia, que manda bem.

Roteiro: A ambientação, a composição e o andamento dado aos acontecimentos no Invocação do Mal 2 são bem bons, só que não é possível deixar de lado aquele sentimento de já ter visto tudo antes: é aquele clichê de casa assombrada, ceticismo, ocorrências bizarras, nomes de entidades, etc. O que retira o filme do lodo comum é um bom braço do diretor para criar tensão, ser razoavelmente honesto com a audiência, evitando sustos tolos, e um passo firme para criar tensão. O Homem nas Trevas é o que tem o ponto mais alto, tendo cenas excelentes e criando um espaço claustrofóbico e um vilão que não é vilão e mocinhos que não são mocinhos – e fazer quem assiste ter medo de um cego é algo notável; contudo o terço final do filme peca demais, principalmente por uma reviravolta que eu considerei quase ridículo e, certamente, desnecessária, tirando muito mérito roteiro do filme. Dessa forma, por ter um passo mais regular, o melhor roteiro fica com o Quando as Luzes se Apagam: a premissa é suficiente inovadora, é excelente para usar o medo natural das pessoas (o escuro) e, apesar de uns deslizes aqui e ali (principalmente para explicar a coisa toda), a coisa funciona bem: as decisões dos personagens são coerentes e não me vi pensando uma vez sequer “meu deus, como você é burro! Espero que morra logo” para ninguém.

Terror: Os três assustam, mas o que sai logo da disputa é O Homem nas Trevas, que não chega a focar-se muito nesse ponto de assustar: é quase mais uma luta para sobreviver. Nos outros dois a disputa é melhor. O Quando as Luzes se Apagam mexe naquele sentimento visceral do medo do escuro e trabalha bem isso, criando ótimas situações de tensão e horror. Só que o Invocação do Mal 2, apesar de ser o mais “batido” dos três, sai-se melhor, pois a direção do James Wan é segura, criando cenas longas, esticando ao máximo a expectativa e a certeza de que algo está errado, formando um grande suspense, para, só então, descarregar, para logo recomeçar. E, algo mais: no Quando as Luzes se Apagam, o terror vem do escuro, mas fica ali, contido nessa área de ação: há o espaço seguro, a luz. No Invocação, é diferente: seja quando alguém corre até o quarto de alguém, ou chega ao vizinho, ou quando a polícia vem, tudo ficará certo, que o Mal, a espreita, esconde-se aguardando para dar um novo bote. Espera-se o alívio. Mas não.

No geral: Foi uma bela disputa. Em minhas notas, dei a mesma para O Homem nas Trevas e o Invocação do Mal 2, com o Quando as Luzes de Apagam ficando logo atrás. Parece-me justo: o Invocação tem o roteiro mais clichê, mas tem uma linha sólida, direção e atuações de qualidade e, principalmente: assusta. O Homem nas Trevas inova mais, tem momentos excelentes e, apesar de não assustar muito, cria bons momentos de suspense. Os três vão recomendados.

Abs,

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