Olá, hamburgueiros! Nem todos sabem, mas eu gosto de Harry Potter – e não apenas dos filmes (os primeiros são fracos, mas vão melhorando), contudo, ainda mais, dos livros. E muito disso deve-se pelo universo que rodeia os personagens: aquele ambiente mágico, curioso, bizarro, com tanto de maravilha quanto de perigo, principalmente aos que não fazem parte comumente dele. Tendo uma imaginação razoavelmente ativa, como muitos, enquanto acompanhava as aventuras do Harry e cia. era costumeiro pensar no que mais aquele mundo poderia oferecer, afinal, tudo ali tinha um foco numa ínfima parte do todo e, vez ou outra, havia vislumbres do que havia além da Inglaterra.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam, como livro, tinha a proposta de ampliar o universo mágico, mas não tinha uma história: é um guia. Portanto, a existência do filme “baseado” no livro é equivalente a termos um filme sobre a vida do Etson Bini fundamentado no livro abaixo. Pensem nas bicadas sofridas.

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Então, apesar da vontade de querer saber mais sobre o mundo mágico, o material do qual ele provém não é garantia alguma de qualquer coisa. Já a JK Rowling ser a roteirista é. Bem, vamos à crítica:

Atuações: O foco principal do filme fica em torno de quatro personagens: Newt (Eddie Redmayne), Tina (Katherine Waterston), Kowalski (Dan Fogler) e Qeenie (Alison Sudol). Com boa presença da Mary Lou (Samantha Morton), Credence (Ezra Miller), que tem o melhor nome de todos, e Gravel (Colin Farrell). Alguém derrapa feio? Não. Todos são eficientes em seus papéis, mesmo aqueles com menos tempo na tela. O Eddie Redmayne tem o maior trabalho, e compõem um personagem razoavelmente complexo: não é santo, não é santo, tem um passado não dos mais tranquilos, e, com suavidade, demonstra com seus modos e trejeitos que não é bem entre as pessoas que ele sente-se confortável: é divertido notar como ele fala, usualmente sem contato visual e de cabeça baixa, não porque ele seja um medroso, mas por isso ser um sinal na natureza de alguém que não deseja criar um confronto, e é com animais que o Newt mais relaciona-se. A Katherine, com a Tina, mostra-se bem, desenvolvendo um arco interessante, ainda que não exatamente inovador. O Dan Fogler (Kowalski) é o alívio cômico e tem, por função, ser a audiência, ao ser explicado sobre o que ocorre e o que é o quê – felizmente o Dan é um ator carismático e ele serve bem ao papel, e o mesmo vale para a Alison Sudol (Qeenie) que serve para exposição, só sendo menos óbvia que um narrador descrevendo o que as pessoas sentem. Do elenco de apoio, o de mais destaque é o Colin Farrell, que, como os outros, esta a altura do personagem: tem uma presença imponente e fica claro que não deveria se meter com ele – fora o Newt, o Gravel é o personagem mais marcante, para mim, principalmente pela habilidade notável dele com a magia.

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Roteiro: A JK Rowling fez um trabalho até que bom, mas desigual – o andamento do filme é agradável o suficiente. A premissa é simples: Newt tem uma mala com animais fantásticos. Animais fantásticos não são bem-vindos nos EUA, porque o universo mágicos anda meio bagunçado (o filme ocorre cerca de 70 anos dos acontecimentos do Harry Potter) e o perigo dos magos serem descobertos anda alto. Só que o Newt os traz e, confusão ocorre, animais fogem e agora o Newt precisa pegá-los antes que causem problemas. Naturalmente não será algo fácil. No meio disso tudo pessoas novas vão surgindo, a ação ocorre e, talvez, algo mais esteja acontecendo. Não é um todo brilhante, mas é um caminho seguro quando quer-se iniciar uma franquia de filmes. Há problemas no andamento do enredo – às vezes segue-se numa direção, passa-se a outra, quebrando principalmente o ritmo, com momentos que estendem-se mais do que o devido. Há, também, uma boa dose de clichês polvilhados sobre o filme todo. Nada que incomode demais, mas está longe de ser uma história brilhante.

 

O universo: Uma coisa que eu gostaria de ver mais quando acompanhava as aventuras do HP e cia., era ver mais magia de alto calibre. Como o foco usualmente ficava nos alunos, era claro que o nível de habilidade deles ainda estava sendo desenvolvido. Em certos momentos envolvendo os adultos, coisas diferentes apareciam, no entanto, no geral, era mais violência: magias de ataque/defesa. Aqui era a oportunidade de ver mais magias do dia a dia. Só que não. Primeiro porque boa parte do filme ocorre no “mundo” dos não-magos (trouxas) e, segundo, o maior destaque da “novidade” fica para os seres fantásticos – que são, em sua maioria, bem legais. Aqui, creio, o erro foi mais minhas esperanças mal direcionadas, afinal, o título do filme não tenta me enganar. Tem bastante aparatação, ao menos.

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No geral: Animais Fantásticos e Onde Habitam tem mais qualidade do que os primeiros filmes do Harry Potter, principalmente devido ao maior gabarito dos atores envolvidos, mesmo que eles participem de uma história inferior. O filme entretém e possui um naco daquele maravilhamento que ocorria com o universo do Harry Potter, até pelo trabalho de produção ser lindo. Porém é um filme bem padrãozinho, que corre poucos riscos, além daquele que cimentar a base da franquia, o que faz muitas coisas serem só mencionadas ou tocadas de leve, sem resolução, e também leva ao final a la Retorno do Rei, mas sem tanta história para justificar. Apesar dos pesares, Animais Fantásticos e Onde Habitam proporcionou-me um bom tempo e vale ser visto.

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