Olá, hamburgueiros! Continuando com nossas críticas envolvendo filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme (já comentamos sobre o A Chegada, La La Land e Até o Último Homem), vamos ao Manchester À Beira-Mar. Admito que é na temporada de premiações que vários filmes que eu ignorei durante o ano, devido a minhas preferências acerca do que gosto de assistir, afinal chamam a minha atenção. E o Manchester À Beira-Mar é um desses casos – um drama atual (aos históricos eu fico mais atento) envolvendo falecimento, relação de família, passado trágico. O filme concorre nas categorias de Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original e Ator, sendo aqui a maior chance de uma vitória, devido à elogiada performance do Casey Affleck. Serão as indicações e elogios válidos ao meu ver?

 

Atuações: Todos estão muito bem. Sem exceção – até dos atores com papéis menores, nenhum  destacou-se de maneira ruim. O Casey Affleck (Lee Chandler) conduz o barco e o faz com uma firmeza notável: não no estilo de capitão que grita e ameaça, mas daqueles que expressam-se pelo olhar e em poucos movimentos. É uma performance bastante contida, difícil de ser executada, por navegar entre águas perigosas: de criar uma pessoa desinteressada, alheia, e, pior, uma a qual desgostar, até repudiar devido a certas ações e falas. Porém, aos poucos o filme (e um olhar atento), vai revelando novas camadas do personagem, e exigindo, junto, mais alcance da atuação, com o Casey tendo que mostrar – e fazendo-o com categoria – outras facetas e comportamentos do Lee Chandler. O Casey realmente merece os elogios e prêmios. Junto dele está o Lucas Hedges, no papel do Patrick, sobrinho do Lee Chandler. O rapaz vai bem demais, sendo fechado em seus sentimentos íntimos (como os adolescentes são) ao mesmo tempo em que é capaz de manter conversas, antagonizar e ter explosões súbitas de emoções. A Michelle Williams, como a Randi Chandler, aparece por pouco tempo, porém quando o faz, está ótima. Não sei se a colocaria como concorrente ao Oscar, parece-me um exagero, como o da Judi Dench, como a Rainha Elisabeth, no Shakespeare Apaixonado.

 

Roteiro: O básico da trama é o seguinte: o personagem principal, Lee Chandler, é uma pessoa irascível, às vezes, profundamente magoada, mas que tenta ajustar-se numa rotina laboral, até que chega-lhe a notícia do falecimento do irmão, que obriga o Lee a retornar para sua cidade natal e confrontar elementos de seu passado que ele prefere deixar para trás. Com isso, e até pelas imagens que vi do filme, eu imaginava um drama dos pesados. Mas, não. O roteiro feito Kenneth Lonergan, que também é o diretor do filme, consegue misturar o drama com falas ágeis e, constantemente, até com certo nível de humor, basicamente todas vindo das interações entre o Lee Chadler e seu sobrinho Patrick. Ademais, o roteiro é conduzido pelo Lee Chandler, um personagem pelo qual é difícil torcer a favor, mesmo na situação trágica em que ele se encontra (a morte do irmão), pelo mesmo ser profundamente antissocial e antipático. Mas o roteiro vai dando vislumbres de um Lee diferente, e, aos poucos, vamos simpatizando, até de forma inesperada, com ele. Ademais, o ponto mais alto do roteiro, para mim, são os diálogos: pensem num filme do Tarantino, mas falado por pessoas normais em situações normais. As falas dos personagens são totalmente críveis – adultos falam como adultos, adolescentes como adolescentes – e não caricaturas; e sempre de forma coerente com o momento. Poderia-se pensar que isto é algo que deveria ser comum e nem precisaria ser citado como diferencial, no entanto, é infelizmente um feito raro em Hollywood.

 

Manchester À Beira-Mar: O filme é feito para exigir atenção e busca causar alguma confusão na audiência: são constantes os saltos temporais, do tempo atual para flashbacks, mas isso é feito sem separação clara entre o atual e o passado, de maneira proposital. Poderia não funcionar, só que acaba dando certo, agindo organicamente para inserir questões na nossa mente e, então, respondendo-as, muitas vezes de modo tocante ou surpreendente. E é assim que vemos as mudanças ocorridas nos personagens – como eles eram e o que tornaram-se, e, na maior parte do tempo, não temos todas as peças para descobrir as respostas, então fazemos suposições. Dessa forma, o filme consegue manter o interesse do público e, também, criar uma narrativa pouco usual e bastante efetiva para contar a história que propõe-se.

 

No geral: Manchester À Beira-Mar é um filme ótimo. Infelizmente creio que o mesmo passou despercebido pela maioria do público (numa enquete que fizemos em nossa página, o Casey Affleck foi o único ator sem votos). Não é um filme inovador nem seminal no estilo, contudo é bastante redondo em sua trama, com atuações acima da média, diálogos refrescantes, e uma trama com desenvolvimento curioso e bem executado. Recomendo que assistam!

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