Olá, hamburgueiros! Ok, sei que na mesma semana em que está estreando o King Kong, não é bem de um outro filme que vocês esperariam estar lendo. Mas assim é que a coisa é. Isso porque também estreia esta semana o filme (sim, há outros filmes estreando) Fome de Poder, com o Michael Keaton. Como para muitos este filme poderia passar despercebido por mim não fosse, principalmente, o tópico: como um certo Ray Kroc transformou uma lanchonete de sucesso local numa das maiores redes de lanchonetes e restaurantes do mundo – o McDonald’s. Assim, lidando com a indústria de alimentos, abertura de lojas e franquias, o tema do filme toca próxima a nós aqui do Cine Truck. Ter o Michael Keaton como ator principal também ajuda. Com essa soma de fatores, o King Kong (e o Logan) vai esperar enquanto servimos outra crítica quentinha.

 

Atuações: O foco do filme todo é no personagem Ray Kroc, baseado na pessoa real (o filme é inspirado em fatos), interpretado pelo Michael Keaton. Existe um tipo de persona que o Keaton e Jack Nicholson conseguem interpretar de forma excelente: o maníaco. Não necessariamente falo de alguém louco, mas de um indivíduo obcecado, obstinado além de qualquer moderação, com aquele olhar intimidador de alguém que, caso você esteja no caminho, será removido, não exatamente de forma agradável. Quem melhor, então, para assumir o papel de um negociante no ocaso que através de persistência, teimosia e cretinice criou um império de negócios? Portanto o Michael Keaton encaixa-se perfeitamente no papel, mas não chega a trazer algo de novo ou inesperado – não atinge um nível de qualidade de um Riggan (do Birdman) nem derrapa. É só a pessoa-ator que já conhecemos. Seu Ray Kroc, entre erros e acertos, palavras ríspidas e momentos divertidos, lembra outros de seus personagens, contudo isso, acredito, mais deve-se à própria pessoa que inspirou a história: o verdadeiro Ray Kroc – em curtos trechos de entrevista é possível ver a qualidade trazida pelo Keaton ao papel e, também, o quanto o Ray Kroc é meio um Keaton também. O elenco de apoio é bom, particularmente o Nick Offerman (Dick McDonald), que só faz trabalhos ótimos desde o The Office, e o John Carroll Lynch (Mac McDonald) – ambos interpretam os irmãos McDonald, donos da lanchonete que chama a atenção do Ray.

 

Roteiro: O filme segue os acontecimentos da vida do Ray Kroc, um comerciante que já fez muitas coisas na vida, e naquele ponto dela encontra-se abatido, sem rumo e sem sucesso, tentando vender máquinas de fazer milkshake. Aí descobre que sua empresa recebeu uma encomenda de 6 dessas máquinas de uma lanchonete de San Bernardino, na Califórnia. Apesar de achar que foi um erro, para lá ele vai. O que ocorre a partir daí é a história sendo feita – o atribulado nascimento da gigante dos alimentos, a McDonalds. O roteiro segue uma fórmula padrão e em nenhum momento tenta inovar, seja na maneira de mostrar alguma situação ou particularidade ou sentimento de certo personagem – é um roteiro “by the numbers” ou, digamos, redondinho, porém apenas a qualidade do elenco, a boa direção e a muito interessante história sendo revelada tiram esse filme do perigoso reino do “direto para a TV (ou Netflix)”. O andamento não é dos mais intensos, e as quase duas horas de filme poderiam chegar a aborrecer, porém, comigo isto não ocorreu – fica o aviso, no entanto.

 

McDonalds: Citei na abertura o interesse particular que tenho por trabalhar na indústria de serviços e alimentos, na história do filme. Estamos ainda na pré-fase do Fome de Poder – temos só a fome; ainda almejamos ser a “pequena” lanchonete de sucesso notável, contudo já temos olhos para adiante – lojas e franquias. Assim, é bastante interessante para mim ver as idas e vindas do Ray Kroc no negócio – da loja inicial ao franqueamento, tendo que lidar com os problemas advindos do crescimento, tanto os justos quanto aqueles advindos de uma sede de querer mais insaciável, que simplesmente vai passando por cima dos outros no caminho. A parte inicial do Ray, após o encontro com os  irmãos McDonald, foi a melhor para mim, sofrendo com dificuldades que imagino possamos a ter e as soluções buscadas. Fome de Poder não é um documentário e nem busca ensinar alguém, só quer entreter, mas certamente possui algumas facetas que brilharam mais para mim.

 

No geral: Fome de Poder está longe de ser um filmaço, mas conta com boas atuações, um Micheal Keaton fazendo o que faz melhor. É uma história que cativa por mostrar um lado pouco conhecido de uma gigante dos negócios que todos conhecemos de cardápio ou fachada, porém vemos o quão pouco sabemos do mais a fundo (e nem digo dos ingredientes usados nas receitas). Gostei do que vi, penso que isso em alguma dose foi ampliado pelo meu envolvimento no meio, contudo, o filme certamente é capaz de entreter quem quer saber a história por traz daquele M dourado.

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