Olá, hamburgueiros!

A série de filmes do Alien é… desigual, na melhor das hipóteses. Alien, o Oitavo Passageiro é excelente, um dos melhores suspenses no espaço. Aliens, o Resgate é muito bom, mesmo tendo mudado a fórmula, indo mais para a ação e a aventura, com menos suspense (mas ainda presente). Alien³ começa o declínio, mesmo com o David Fincher como diretor – há longas discussões sobre a interferência do estúdio na produção do filme; e o resultado é um filme fraco, mas com boa ambientação e momentos. Alien – A Ressurreição é ruim, com vários escolhas questionáveis, incluindo a inserção da Ripley, uma história bem meia boca e um final ridículo. Dos filmes do Alien vs Predador, não falamos aqui. Prometheus foi o primeiro dos filmes a contar a história dos aliens – apesar de visuais lindos, a história bastante complexa não transformou-se num bom filme (para mim, pois o filme possui seus fãs), basicamente mostrando a pior equipe de cientistas que já foi para o espaço tomando decisões horrendas; mas, ao menos, serviu para fundar a Escola Prometheus de Corrida.

É o Prometheus que o Alien: Covenant segue. Dez anos passaram-se e uma nova nave, cheia de colonos e tripulantes, coloca-se na direção dos assassinos mais perfeitos do cosmos.

O Alien: Covenant é bastante formulaico: sai o roteiro denso do Prometheus e entra um com uma organização mais básica, limitado, pouco tenso, com quase nada de suspense e antecipa-se quase tudo que virá. Não há drama com qualquer peso – os tripulantes são todos buchas de canhão com o qual pouco nos importamos, e isso vale até para os personagens principais, pois um é um sintético quase desprovido de emoções e os demais não são aprofundados, adquirindo pouca empatia. Há cenas de ação intensa em que pessoas morrem e eu nem sabia (e nem me importava) quem tinha sido morto.

As atuações ficam dentro daquele espectro ordinário: a Katherine Waterston (Daniels) é a personagem principal e está OK. Nada demais, porém. O Danny McBride (Tennessee) vai bem e eleva-se do bando pelo carisma pessoal, pois vendo as decisões dele me pergunto qual foi o processo aplicado para a seleção daquelas pessoas para a missão que tinham em mãos. O Michael Fassbender, no papel do sintético Walter/David, cumpre bem sua função, em particular numa excelente conversa e, mesmo limitado pela natureza pouco emocional dos sintéticos, tem o maior peso no filme. O resto do elenco “humano” é, como disse, recheado de personagens dispensáveis, mesmo aqueles que, em tese, deveriam ter mais presença e apelo. Ah, o James Franco está sensacional no filme – grande e notável adição para dar gravitas ao elenco e filme.

Os efeitos especiais (muitos deles práticos) e design de produção são ótimos, e é de se esperar algo assim, com um orçamento de 111 milhões e sob a direção do Ridley Scott. Os ambientes são bem feitos, porém um naco enorme do filme ocorre sob tempestade e escuridão (externa ou interna), o que tira muito do impacto visual. Em todo caso, a série Alien usa bastante esses cenários de pouca luz, então não é bem algo novo; e o que aparece bem é, usualmente, muito bonito.

No fim, o Alien: Covenant acaba sendo um filme notavelmente esquecível, ainda que não seja um entretenimento ruim. Não é bem um filme de ação (que está presente, contudo nada tem de memorável), nem de suspense, nem de horror ou thriller – justamente para enorme previsibilidade do roteiro e por quão descartável são todos os personagens – morrer ou ficar vivo, pouco importa. O Alien: Covenant estende a história do alien, basicamente colocando a peça final para explicar como aquele ser veio a tornar-se o que é. O que descobri, no entanto, após o Prometheus e o Alien: Covenant é que eu realmente não queria saber a história dos aliens – eles tinham mais terror em torno si quando eram um organismo desconhecido, horrorizante e, bem, perfeito. Certas coisas não precisam de explicação (ahem, midi-chlorians), e os xenomorfos estariam melhor servidos sendo aquele ser sanguinário retorcendo-se no escuro.

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