Olá, hamburgueiros! O diretor Edgar Wright, diferente do Christopher Nolan (que figurou na crítica anterior, com o filme Dunkirk), não é exatamente uma unanimidade. Quem gosta do estilo e dos filmes dele, gosta muito – mas há muitos que desgostam. O lado certo dessa cerca é dos que gostam do Edgar Wright, porque eu estou deste lado. Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso, Scott Pilgrim Contra o Mundo e Heróis de Ressaca são filmes de bons a excelentes: bem-humorados, com ritmo acelerado, edição diferenciada, boas atuações, e normalmente fazendo ótimos truques visuais e notável uso de música. Assim, estando ao lado dos fãs, foi com grande animação que assisti ao trailer do Em Ritmo de Fuga, que fez seu trabalho, deixando-me muito animado pelo filme em si. Afinal a espera acabou, e qual foi o resultado?

 

O Em Ritmo de Fuga conta a história do personagem Baby (Ansel Elgort) – um rapaz com um passado trágico, um defeito físico, uma obsessão por Ipods e música, e um endiabrado sem igual no volante. É quase um personagem clássico do Edgar Wright. Os demais personagens que figuram pela película também contam com muitas peculiaridades que lhes fornecem personalidade e carisma, além de um certo magnetismo. O Doc (Kevin Spacey), que é estrategista, calmo, mas é também intimidante, frio, e mesmo assim tem uma boa relação com a família, particularmente o sobrinho. O casal Buddy (Jon Hamm) e Darling (Eiza González), que certamente guardam seus segredos, e conseguem ser amigáveis, parceiros, bem como eficientes e vivem num esquema Bonnie & Clyde. E, principalmente, o Bats (Jamie Foxx), que é inteligente, atento, brutal e, claramente, insano, fazendo jus ao apelido. Do elenco, a mais fraca é a Debora (Lily James), que não é ruim, só fica aquém do nível geral dos outros mesmo. Um elenco forte, com boa química e que funciona bem na tela.

 

O roteiro é intenso, começando já acelerado e mantendo, por quase toda a duração do filme, o pé no acelerador. Quase, pois há momentos mais tranquilos, até para dar um tempo para nós, a audiência, nos recuperar. E é nesses momentos que está a principal fraqueza da história: a relação entre o Baby e a Debora. Eles até que formam um belo casal, e ambos parecem gostar um do outro. A questão é mais o nível: a Debora vai de 0 a 100 nesse relacionamento mais rápido do que o Baby consegue em seu carro. Ela passa de uma pessoa que conhece alguém que lhe atrai para, em pouquíssimo tempo, estar envolvida em situações críticas com seu namorado. Deve existir pessoas assim, que ligam-se imediatamente e sem restrições a quem acabam de conhecer, mas essas pessoas não são exatamente normais, e a Debora, ao que tudo indica, é, mesmo que tenha, no momento, pouco a prendê-la naquele lugar e às pessoas ao seu redor. Simplesmente não me convenceu nem pareceu-me crível, e como essa relação é bem importante para a história como um todo, esse todo não parece bem ajeitado – fica torto e me incomoda. Fora isso os diálogos são afinados, sendo espertos e com bom ritmo.

 

Já as cenas de ação e as interações entre o Baby e as equipes que fazem os assaltos, essas não me incomodaram nem um pouco. São muito bem executadas, gravadas com clareza – o Edgar Wright sabe como capturar uma cena de ação intensa e energética, sem torná-la confusa. As cenas de perseguição enchem os olhos, todas executadas com efeitos práticos, o que as tornam mais verossímeis – e a primeira delas está entre as melhores do gênero.

 

E, claro, tem as músicas. Elas têm papel integral no filme, servindo não apenas como uma ferramenta para o personagem Baby se concentrar, mas fornecem um pano de fundo interessantíssimo para grande parte das cenas. São várias as músicas que tocam basicamente inteiras e é até possível pensar no filme como uma série encadeada de clipes de música com alguns interlúdios ligando-os. É quase como o Moonwalker, mas com uma qualidade de filme bem superior. A trilha sonora inclui músicas do Beach Boys, Queen, Beck, Commodores, Blur, Simon & Garfunkel, Barry White, e muitas outras, até Tequila, do Button Down Brass.

 

No geral, Em Ritmo de Fuga é um filme que certamente vale o preço do ingresso. Tem várias das peculiaridades tradicionais do Edgar Wright (e se você já viu os outros filmes dele, já deve saber no que está entrando), mas o Em Ritmo de Fuga parece menos de nicho como os outros feitos por ele, tendo um apelo mais amplo e tradicional. O filme não é perfeito – além do meu problema com o relacionamento entre a Debora e o Baby, o filme alonga-se um pouco além do devido -, mas funciona como um ótimo entretenimento. Se puder ver, veja.

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