Olá, hamburgueiros! Filmes que lidam com manipulação do tempo, bem como eventos recorrentes que ligam-se, de alguma maneira, a algum mistério ou situação que o protagonista precisa revelar ou entender, tendem a fornecerem bons filmes. Feitiço do Tempo (com o Bill Murray), Déjà Vu (com o Denzel Washington), Contra o Tempo (com o Jake Gyllenhaal), No Limite do Amanhã (com o Tom Cruise e a Emile Blunt), entre vários outros. É uma família de respeito, e o 2:22 – Encontro Marcado veio para entrar nela.

 

Na parte das atuações, a dupla principal até que se sai bem: a Teresa Palmer (Sarah) faz seu papel de mocinha bem, enquanto o Michiel Huisman (Dylan) empresta alguma carga dramática ao seu personagem, justamente aquele vivenciando as repetições e tentando entender como as ocorrências conectam-se e por qual razão. Os demais atores não tem muito tempo na tela e nenhum recebe – ou carece – de grande destaque. O Michiel tenta trazer algum carisma ao seu Dylan, e consegue apenas numa medida limitada; a Teresa, com sua natural bela e frágil aparência, tem mais sorte em fornecer alguma forma de verossimilhança e empatia à sua Sarah.

 

Agora, se os dois atores salvam-se, é puramente por mérito próprio, já que o roteiro é uma bagunça, conseguindo a façanha de ser, ao mesmo tempo, enrolado, chato, presunçoso, sem sal, nada inovador e, como a cereja no bolo, todo o tempo perdido trançando correlações, criando situações, tentando desesperadamente dar alguma importância para o que acontece com o Dylan após seu incidente que dá início ao enredo, culmina num absolutamente insatisfatório drama de novela da tarde dos mais medíocres. É verdade que o “twist” final, a razão de tudo, mesmo em filmes de excelente qualidade como os citados acima, tendem a ser a parte onde os roteiros tendem a derrapar: são ótimos em construir as bases e dar a forma, mas não em realmente dar força à estrutura, o que pode fazer tudo ruir. O Feitiço do Tempo nem tenta explicar; no No Limite do Amanhã é a parte mais discutível; mas ambos (e outros) trazem em seus roteiros mais animados (não digo alegres, mas, sim, com ritmo e cenas mais energéticas e interessantes) e personagens melhores o sustento para que a “revelação” caia para segundo plano. 2:22 – Encontro Marcado pouco tem disso e, assim, fica-se esperando por uma resolução que traga maior contentamento e sacie a audiência. Sem isso (e não há no filme), 2:22 – Encontro Marcado falha em agradar e deixa apenas aquela sensação amarga de arrependimento pelo tempo gasto e expectativa não atendida.

 

E, no fim, talvez um problema (que não é o principal, pois este é o roteiro) adicional seja como o filme é “vendido”: como um filme de ação/thriller. Penso se quem o classificou assim realmente o assistiu. É improvável – e, se ocorreu, creio que a pessoa dormiu – algo bem factível de ocorrer, ante o passo arrastado da trama vazia. De qualquer forma, serviria melhor ao 2:22 – Encontro Marcado ser classificado como drama/romance. É o que ele é. Claro, sempre há a possibilidade de alguém achar uma andadas rápidas pela rua, um pássaros voando, umas conversas ríspidas e um vidro quebrando aqui e acolá, como um thriller de ação. Classificações são coisas complicadas. Mas, de minha parte, fica o aviso.

 

De qualquer modo, independente de seu gênero, o que o 2:22 – Encontro Marcado é, de fato, é um filme fraco. Não recomendo.

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