Olá, hamburgueiros! Poucos filmes da minha infância marcara-me tanto quanto It: Uma Obra Prima do Medo (apesar desse prenome) – que não é exatamente um filme, mas, originalmente, uma minissérie, só que aqui no Brasil foi lançado como um filme em duas partes (duas fitas na época). A verdade é que eu não deveria ver um filme desse tipo com a maturidade que eu possuía, pois acabei atemorizado até os fios do cabelo e tive medo de ir ao banheiro escuro por um bom tempo. Porém, assim como enfrentei outros dois medos – Quick de morango e Fanta Uva -, vi o It: Uma Obra Prima do Medo já adulto e achei-o bom em sua primeira parte e particularmente ruim em sua segunda. E o Pennywise pareceu-me muito menos assustador, ainda que a interpretação do Tim Curry seja excelente. Assim, foi com uma mistura de emoções que vi o anúncio do It: A Coisa, nova adaptação do imenso livro do Stephen King – afinal, pareceu um horror antigo voltando à vida – e, claro, 27 anos depois da minissérie! Porém, olhei no espelho, mandei um animador “Vamos lá!” e fui ver o novo filme.

 

As atuações das crianças – a parte principal da coisa toda – são boas, com ótima química e camaradagem entre o “clube dos perdedores”. O destaque fica para a Sophia Lillis (Beverly Marsh), que faz a personagem mais intrigante e marcante (até por ser a única garota do grupo) e o Finn Wolfhard (Richie Tolzier), que talvez seja o Corey Feld da geração atual, já que vem de sua participação no seriado Stranger Things (que, de um modo muito meta, tem algo do It em sua trama). Entre os adultos e adolescentes mais velhos, nenhum realmente merece nota, até porque seus personagens não vão além do valentão ultraviolento da escola, o pai alcoólatra, a mãe superprotetora – enfim, personagens que são verdadeiros recortes de cartolina, definidos por uma única característica. Claro, a exceção fica ao Bill Skarsgård, que faz um Pennywise mais bruto e assustador do que o do Tim Curry, que lembrava mais um palhaço maníaco, enquanto o do Bill Skarsgård é um monstro completo, que lança-se sobre suas vítimas como um animal sedento. No fim, prefiro a versão do Tim Curry, a qual parece-me de maior complexidade, com sua ameaça oculta, porém o Bill Skarsgård entrega um Pennywise notável, principalmente por seus olhos assustadores, com um virado para o que lhe está a frente e outro para a audiência – certamente perturbador.

 

 

O roteiro é bom, e dá bastante tempo para explorar seus personagens principais (as crianças) e cria uma sólida história, bem mistura com uma dose de humor que permeia um naco razoável das cenas do filme. Porém, em certos momentos, junto da direção do Andy Muschietti, derrapa. Primeiro pela insistência nos sustos pobres – aqueles em que o enquadramento da câmera aproxima-se, de forma que algo ocorra próximo (atrás, ao lado, em cima, etc) do personagem na tela sem que possamos ver (mas sabemos que está por vir) e, BAM, música alta, movimento rápido, grito. É clichê, é básico e é irritante – porém ainda muito presente no gênero. Eventualmente ocorre uma construção mais elaborada e muito mais satisfatória – como, por exemplo, uma envolvendo a Beverly e seu banheiro. No entanto, uma cena que eu gosto muito da minissérie, que ocorre no banheiro da escola, não está presente, o que é uma decepção pessoal. De qualquer maneira, eu esperava mais do filme, pois se em 1990 esse tipo de susto já estava gasto, imagine em 2017. Segundo, e talvez isto não seja problema do filme em si, e sim do material original – que eu não li -, é o quanto o enredo e as situações mais dramáticas dependem de um personagem simplesmente afastando-se dos outros. Eu entendo alguém ver algo e achar que é real, mas mesmo crianças deveriam saber que simplesmente sair andando atrás de algo, ou deixando alguém para trás, é muita bobeira e descuido – no fim, é uma picuinha, porém, incomodou-me e vale mencionar.

 

A ambientação é toda bem feita, e o filme usa seu tempo para construir seu mistério, no entanto a mim seria melhor que o caso fosse sendo descoberto aos poucos, ao estilo O Chamado, do que a maior parte do caso já ter sido investigada e ser apenas “entregue” aos personagens (e ao público). Os diálogos também são ótimos, representando bem a conversa dos jovens adolescentes, algo que tende a ser mais difícil de conseguir veracidade do que alguém pode esperar.

 

Apesar das reclamações, o It: A Coisa consegue entreter, com seu passo dinâmico, e principalmente servindo como uma homenagem às muitas idiossincrasias literárias do Stephen King e também ao próprio gênero do terror, com seus truques e clichês. É importante saber que este filme é a PARTE 1, e terá seu desfecho num próximo filme. De qualquer maneira, para quem gosta do gênero e da minissérie, de boa dinâmica entre os personagens e um desenvolvimento maior do que o esperado (mas usual para uma adaptação do King) deles, além de uns belos sustos, recomendo o It: A Coisa. Agora é torcer que a segunda parte não seja a ruindade fétida que a segunda parte da minissérie foi.

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