Olá, hamburgueiros! Costumeiramente eu vou ao cinema para ver um espetáculo visual e sonoro. Não exatamente para ter minha mente desafiada, mas apenas para dar um banho nos meus sentidos – maravilhar os olhos e deleitar os ouvidos. Felizmente a indústria cinematográfica é, usualmente, ótima nisso – tanto o é que criou-se o termo “popcorn movie” (filme de pipoca), onde o objetivo não é ficar pensando muito, nem debater sobre a psicologia e motivações dos personagens. Quer-se apenas dinamismo, correria, explosões, estrondos e tremores. Porém, há limites para tudo. Até um filme pipoca precisa funcionar além do visual. Tempestade: Planeta em Fúria vende-se como um filme espetáculo, focando seus trailers em cenas de efeitos grandiosos, ondas gigantes, furacões, desastres. Essa parte parece estar OK, porém será que o filme dá aquele passo a mais?

 

As atuações são… fracas. Não chegam a detonar o filme, só não são algo demais. O Gerard Butler (Jake Lawson) é alguém que me diverte – ele poucas vezes faz um personagem realmente diferenciado, e é ainda mais divertido quando ele tenta fazer um sotaque, algo que ele é totalmente incapaz – ao menos o filme reconhece isso e mesmo com seu personagem sendo americano, um momento do filme informa que o Jake Lawson nasceu na Inglaterra (ainda que nem isso passe totalmente, não sei porque não falar Escócia). De qualquer forma, diferente de muitos, eu não desgosto da persona do Butler – para mim ele parece se divertir nos papéis, e eu raramente me incomodo com ele – talvez por não esperar qualquer brilhantismo. O Jim Sturgess (Max Lawson), ao contrário, não me desce direito – é costumeiramente limitado e sem carisma suficiente para ganhar moeda na rua; e aqui seu esquecível Max é só mais um numa série de desapontamentos. A Abbie Cornish (Sarah Wilson) não está excelente, contudo nesse filme sem ponto de destaque, sua personagem é das mais agradáveis. O Ed Harris (Leonard Dekkom) e o Andy Garcia (Andrew Palma) estão no filme também – o Andy, no papel do presidente dos EUA, é totalmente desperdiçado e o Ed Harris vive uma parodia de si mesmo, triste.

 

Os efeitos não são sensacionais – na sala IMAX tive até uns momentos de estranheza, mas acho que algum lapso da própria projeção. Era de esperar algo diferente – afinal, o filme custou cerca de 120 milhões, e certamente não foi investido muito em atores do primeiro escalão. Ao menos há várias cenas em diferentes localidades – incluindo o Rio de Janeiro, claro – quando a destruição espalha-se pelo mundo. O que vi não foi de todo ruim, só abaixo do que eu esperava – parece que já vi efeitos da mesma (ou superior) qualidade (e bastante similares), no 2012, feito 8 anos atrás.

 

Falando em 2012, vamos ao calcanhar de Aquiles da coisa toda: a história. O espírito do Roland Emmerich certamente abaixou no diretor Dean Devlin. Tudo, cada santo ponto no filme, é um clichê do Emmerich – o evidente era o fetiche pela destruição em escala global – claro, o Devlin tem dedo nisso quase desde o começo, sendo roteirista do Independence Day (e também da trágica e tétrica sequência deste). Contudo, vendo o filme, percebe-se os outros. Os relacionamentos entre basicamente todo mundo, até as falas e o que fazem. É assustador, quase como se eu tivesse ido para uma outra realidade, onde as coisas parecem ser exatamente iguais, porém algumas coisas são ligeiramente diferentes, de forma a criar aquele clima de inquietação, de que algo não está certo – será um sonho? Naquela foto eu estava mesmo usando uma camiseta verde? Movie Truck?

 

Bem, o roteiro é uma ofensa – ou o Devlin só sabe escrever exatamente um tipo de filme. Pode ser. Sendo um tremendo clichezão sem vergonha e que leva-se muito a sério, tentando empurrar uma risível e desnecessária complexidade à trama, todavia o desenrolar é previsível e fraco, então a tentativa, no fim, só acrescenta tempo de chatice ao filme, já que não há qualquer clímax ou surpresa durante o filme: sabe-se o resultado de tudo, até mesmo pode-se prever com segurança o que irá ocorrer antes de acontecer, não apenas antecipar o resultado. É difícil falar sem dar spoilers (veja, estou sendo generoso, quem viu algum filme de desastre como o Dia Depois de Amanhã, 2012, Independence Day, etc – tecnicamente já viu o Tempestade: Planeta em Fúria, mas vai que há quem não viu ou não lembra), porém basta dizer que o Tempestade é pior, pois neste há um vilão insano, de plano ridículo, que é responsável pela coisa, o que torna tudo ainda mais inacreditável.

 

No fim, Tempestade: Planeta em Fúria é uma decepção. Filmes de pipoca não precisam ser um primor na parte do roteiro e personagens, mas precisam ter um mínimo aceitável. O Tempestade falha até nessa baixa requisição ao entregar-se a todos os tipos de clichês e a uma falta de imaginação que surpreende pela cara de pau em vender esse filme como algo novo. Infelizmente, essa é a única surpresa que o Tempestade: Planeta em Fúria entrega. Não recomendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>