Olá, hamburgueiros! Não é segredo que na disputa Marvel versus DC, eu fico do lado da DC – foi com os heróis, vilões e histórias da DC que eu cresci e com as quais mais me envolvi, colecionando títulos diversos por vários anos. Esse gosto me leva a, mesmo diante das mais claras evidências, manter a positividade e a esperança que a Warner/DC vai passar a entregar produtos de alta qualidade para as telas, algo que, por norma, não vem ocorrendo. Pior ainda, a direção era contrária, com a qualidade declinando – considerando as avaliações dos últimos filmes: 55% para o Homem de Aço, 27% para o Batman v Superman e 26% Esquadrão Suicida.

 

Aí veio um brilho de mudança para melhor: um salto para estupendos 92% para o Mulher-Maravilha. Porém, para o próximo filme, Liga da Justiça, o sucesso de crítica e público do Mulher-Maravilha pouco significava, pois o filme já estava avançando em sua produção, e seguia com o mesmo diretor do altamente questionável Batman v Superman – Zack Snyder. Porém, para jogar mais pimenta e expectativa, o Joss Whedon, um dos grandes responsáveis pelo sucesso dos filmes da Marvel, diretor do Vingadores, envolveu-se diretamente na direção, após a ausência por trágicos motivos pessoais do Snyder. Com cenas sendo regravadas e, ao que parece, a fórmula de mais leveza, incluindo participação maior da Mulher-Maravilha, houve agito entre os fãs. Só que o Whedon afirmou que 99% do filme era do Snyder e as regravações já estavam programadas antes do Snyder ter de se ausentar – fãs berravam, num misto de terror e pânico, que o Whedon estava sendo apenas cavalheiro com o Snyder e que ele teria, sim, grande influência no filme. E o que saiu dessa salada toda?

 

O Liga da Justiça é, numa palavra, desigual. Mas que bela porcaria mesmo – custa muito me dar um filme sensacional DC? Custa? Dinheiro vocês têm, já que o Liga tem um custo estimado de módicos 300 milhões de dólares. Uma barganha. É, para mim, muito curioso que uma empresa, como a DC, que efetivamente existe para entregar mini story boards de filmes quinzenalmente ou mensalmente, há décadas, com dezenas de escritos premiados, não consiga atingir a grandeza que eu sei que as histórias desses personagens consegue ter. Me dá uma raiva. Bem, desabafo feito, seguimos em frente.

 

O Liga da Justiça é desigual no passo: não apenas pela tara do Snyder acerca do slow motion, que ao menos eventualmente serve para dar senso para o caos de uma cena de ação, ainda que, em sua maior parte, seja só um snyderismo estilístico; mas também porque o roteiro corre muito – pontos importantes são atropelados, ou simplesmente ignorados -, mas nunca realmente deslancha. Da mesma forma, os efeitos especiais sãos bons em certas sequências e deixam a desejar em outras – um problema que já temia-se pelos trailers, porém pensava-se que até o filme, quando os efeitos são finalizados, as arestas seriam aparadas e corrigidas, mas não. A adaptação dos personagens também oscila, principalmente num dos 3 pilares: o Batman (Ben Affleck), que apesar de ter seus momentos, raramente mostra-se como o brilhante estrategista, o calculista e preciso herói – tem-se apenas uma sombra com algumas piadas, nem mesmo há uma cena memorável como aquela do BvS contra os sequestradores.

 

 

O Flash (Ezra Miller) e o Aquaman (Jason Momoa) provavelmente serão os mais aprovados personagens do Liga da Justiça, o primeiro pelo humor – quase ausente na DC até o filme da Mulher-Maravilha (Gal Gadot), e o segundo pelo comportamento rebelde e aparência de total badass. A Mulher-Maravilha ganha uma posição de mais liderança, talvez reflexo de seu filme, e que cai bem com sua persona, enquanto o Cyborg (Ray Fisher), não vai mal, porém é, sem dúvida, o mais esquecível do grupo. No geral a dinâmica do grupo é OK – em partes melhores, em outras, menos, porém faz sentido considerando pessoas conhecendo-se. Imagino que essa química vá melhorar nos próximos filmes, até pela própria convivência dos atores.

 

A ação, que, convenhamos, esta entre o que mais vale aqui, é… aham, desigual. Isso deve-se mais ao vilão: o Lobo das Estepes (Ciarán Hinds), que é todo CGI e, além de ser um abismo de carisma, é um Zé Ninguém (para quem não lê bastante quadrinhos, pois até neles o personagem aparece pouco e, raramente, com destaque) que dois minutos de história não convence alguém a temer. Sabe-se que ele é forte. E alto. Excelente. Ao menos ele tem no nome o nome de outro personagem bem superior. Justamente quando o vilão não está em cena é que ocorrem as melhores cenas, tanto envolvendo os Parademônios quanto uma em particular que é, de longe, a melhor, e conta com os dois ou três momentos mais memoráveis do filme. Ademais, a batalha final pareceu-me muito granulada e escura, devido ao ambiente excessivamente vermelho – pode ter sido no cinema que eu estava, porém, pois revendo o trailer, a imagem parece mais nítida. Por sinal, talvez por erro, na sala os lados da projeção estava cortados, tornando difícil ler quando o texto saia do centro, e certamente cortando também a imagem – assim, recomendo aos interessados que vejam o filme em salas com telas amplas.

 

Por fim, o roteiro é aquele miojo sem tempero: em sua maior parte, básico, apressado e claramente faltando gosto. Falta desenvolvimento de personagens e mesmo da situação – culpa da Warner, que obrigou a produção a deixar o filme com 2 horas ou menos. O recrutamento segue aquelas linhas clichê: cena 1: recusa, cena 2: tô dentro. O perigo é a destruição do mundo – não há um grande raio para o céu, mas há tubos de explosão, o que são quase isso. O vilão é um maníaco – um recorte de cartolina de um bom vilão. Ao menos, para mim, é legal ver o grupo se juntando, e houve momentos em que, admito, até fiquei emocionado, já que esses, em particular um deles, são meus heróis favoritos. Então, como visto, esse roteiro “seguro”, quase sem inspiração real, com furos, é uma fonte de tristeza pelas oportunidades perdidas. Felizmente, creio que o filme não irá mal na bilheteria e nem será um desastre de crítica, então novas chances continuarão vindo.

 

Então, na soma da tudo, uma conta quebrada. O Liga da Justiça tem ótimos momentos e, em partes, funciona muito bem. É agradável e mais leve em tom e clima do que seus antecessores – nem tão depressivo quando o BvS, nem tão comédia quanto o Thor: Ragnarok. Certamente irá agradar mais. Até eu me agradei mais. E ainda que olhando para os lados, mexendo os pés e balbuciando uns “É… então…” para alguém que pergunte se o filme é bom ou se eu recomendo, eu acabaria indo mais pelo “sim”. Ah, os meandros do coração.

 

Porém, isso não apaga o fato de que o Liga da Justiça é uma fração do que poderia – do que deveria ser (e possivelmente menos do que será numa futura edição do corte do diretor ou estendida). Os mais icônicos e reconhecidos heróis do planeta, juntos pela primeira vez num filme de grande orçamento, vindo após três outros filmes de preparação, merecia mais: mais riscos, mais ousadia, mais qualidade, ser simplesmente mais e melhor. Na desigualdade perdemos todos diante do que poderíamos ter. É uma pena que, daqui um tempo, o Liga da Justiça pode ser só aquele “que não é tão ruim quanto o Batman v Superman”.

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