Olá, hamburgueiros! Não é de hoje que sabe-se que não sou um fã dos filmes da série Star Wars – os melhores são apenas “bons” e a maioria é apenas medíocre, recheados de interpretações fracas, usualmente com diálogos de doer no ouvido. Gosto, no entanto, da ideia do universo, da Força e das possibilidades que, por vezes, são endereçadas e bem apresentadas, entregando situações e cenas memoráveis. Ou seja, eu não sou fã, mas não sou hater também. Só espero ver filmes de qualidade – não vou ao cinema já esperando desgostar e reclamar. Agora, admito que fui ao Star Wars: Os Últimos Jedi, com um pé atrás, pois o Despertar da Força me irritou demais, mesmo tendo qualidades, por ser uma cópia safada, descarada e cretina do Uma Nova Esperança. E há uma chance mais do que razoável de ocorrer o mesmo aqui, só que com o Império Contra-Ataca. Será?

 

Bem, felizmente, não. A história segue do ponto onde o Despertar da Força para – a Primeira Ordem ainda manda na galáxia, os rebeldes querem fazer algo contra isso, a Rey está encarando um muito incomodado Luke. Os Últimos Jedi inicia na ação e não muitas vezes tira  o pé do acelerador – porém o foco fica, em sua maior parte, nos combates em larga escala, principalmente no aéreo. Na sequência de alguns eventos de grande beleza e composição tensa – mas de mínima repercussão real -, o filme entra num modelo padrão: a corrida contra o tempo. Algo tem seu tempo limitado, e os heróis precisam resolver isso enquanto há chance. Para isso, estripulias diversas ocorrem.

 

No que tange as atuações, somente uma se destaca: a do Mark Hamill (Luke) – este sim parece estar colocando aquele roupa confortável e que ainda serve muito bem. O Mark melhorou tremendamente desde seus tempos na trilogia original, onde, ao contrário de agora, era um dos pontos mais fracos, sendo bastante limitado. Agora o Mark mistura sentimentos conflitantes – do pesar, angústia, arrependimento, ao dever, esperança e amor – numa atuação no ponto ideal, sendo sarcástico, rancoroso, reclamão e incluindo ainda um excelente timming cômico; possivelmente o tempo atuando como a voz do Coringa serviu-lhe muito, mas muito bem. A decepção fica pelo Andy Serkis (Snoke) – não tanto pelo ator em si, cujo trabalho de voz em seu Snoke CGI é bom como lhe é usual, mas porque o personagem em si prometia bastante e entrega quase nada – uns bons (ou maus) usos da Força aqui e ali, porém o discurso é aquela mesmice vilanesca e o Snoke acaba sendo o pior e mais esquecível dos Mestres Sith. Os demais cumprem suas funções sem nem muito para um lado nem para o outro, até porque o filme introduz vários novos personagens, de maior ou menor impacto, e mesmo em 2h32 não há exatamente tempo para trabalhar bem com todos os que já existiam e as novas chegadas. O BB8 continua trilhando seu caminho para dentro dos corações da audiência – essa bolinha é sensacional.

 

A história, como mencionei acima, é basicamente original. Nem tudo é, nem mesmo dentro da própria série, mas, no geral, é novo. O diretor e roteirista, Rian Johnson, faz um bom trabalho – e, como apontado pelo chef Osmar, parece brincar com as expectativas da audiência: diversas vezes espera-se que a situação irá para A, mas o Rian faz uma curva fechada, mandando para B. Isso é ótimo, pois os clichês afetam a série Star Wars em maior peso do que muitas outras. Em certos momentos até lembrei os desenvolvimentos da série Firefly – e isso é um tremendo elogio para o roteiro. Os Últimos Jedi conta, não apenas na pessoa do Luke, com grandes doses de humor – nada incomum, a série tem disso com frequência, desde a época do R2D2 e do C3PO como os alívios cômicos. Mas são momentos – este filme não é uma comédia com ação, como o Thor: Ragnarok é.

 

Os efeitos, como esperado, estão primorosos. Não me recordo de algum deslize digno de nota nesta parte. As cenas de conflito são bem compostas, sendo possível entender o que ocorre, mesmo no caos da batalha. Há, no entanto, uma luta envolvendo vários indivíduos que poderia ser mais clara, até porque, entre os combates pessoais, este é dos mais importantes e deveria ser mais tenso e aproveitado. Falando em cenas, há duas que são extremamente ótimas, porém são duas cenas que causam enormes problemas de lógica interna dentro da série como um todo. Mas são bem legais, de qualquer forma. Como não sou de dar spoilers, não posso elaborar mais, o que é até bom, pois você pode gostar de quaisquer duas e vai parecer que eu concordo contigo. E é verdade, as duas melhores são as duas que você mais gostou – fato.  Bate aqui .

 

No geral, tive um tempo agradável vendo Os Últimos Jedi. É um tanto longo, nos seus 152 minutos, mas não senti cansaço, devido ao dinamismo presente em quase todos os momentos, contudo o filme poderia ser, sim, mais direto e curto. Diversas vezes achei que o filme iria para um lado, e não, ou ele seguiu adiante ou foi para um lado inesperado – tanto que, perto do fim, vimos um momento que faria a audiência ir à loucura e ficar falando das possibilidades envolvidas por 2 anos quase sem parar. Como me incomoda um pouco toda a conversa acerca dos Star Wars, agradeço ao diretor por não pararem ali. Fui entretido, torci um tanto, ri e gostei do vi. Ainda não é o dia em que achei algum filme do universo Star Wars estupendo (talvez ocorra quando o Nolan dirigir algum filme da série), todavia o nível de entretenimento foi alto e não peço muito mais do que isso. Recomendo.

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