Olá, hamburgueiros! Pergunta rápida: para vocês, qual o melhor e mais consistente ator trabalhando atualmente? Denzel Washington? Daniel Day-Lewis? Tom Hanks? Benedict Cumberbatch? Gary Oldman? As possibilidades são muitas, assim como as respostas. Não espero que haja unanimidade, é apenas um exercício para pensarmos no corpo de trabalho desses grandes atores. E para dizer que, para mim, a resposta é: Jake Gyllenhaal. Ok, ok, ele fez Príncipe da Pérsia e O Dia depois de Amanhã, é verdade. Ainda que ele não seja a pior parte desses dois, temos que ver o outro lado, com filmes como O Abutre, Zodíaco, Donnie Darko, Nocaute, O Segredo de Brokeback Mountain, Animais Noturnos, Demolição, etc. Ele tem uma filmografia que muitos atores de renome não terão ao fim de sua carreira, e o Gyllenhaal ainda está com 37 anos. O último filme dele a chegar aos cinemas é o O Que te Faz Mais Forte, então será que a fortíssima sequência de grandes atuações é mantida?

 

O Que te Faz Mais Forte é baseado em uma história real, de um cidadão comum de Boston que, por um acaso do destino, torna-se vítima do ataque terrorista que ocorreu na maratona de Boston de 2013. Não é um filme focado neste incidente (para isso vejam O Dia do Atentado, que é competente o suficiente), e sim na tragédia pessoal – e daqueles ao seu redor – do Jeff Bauman, que perde ambas as pernas na explosão.

 

Filmes de superação, em que um personagem sofre algo terrível e, após um período inicial de negação, seguido de uma quase inevitável depressão e fúria com o mundo e as pessoas, acompanhado por um momento de mudança e superação, é o básico do cinema. Já vimos antes e ainda veremos mais. É basicamente a Jornada do Herói, só que para problemas físicos e/ou pessoais. O Que te Faz Mais Forte não difere muito disso, porém, provavelmente por mérito do diretor David Gordon Green (que conheço nada dos trabalhos anteriores), que imprime uma notável realidade em tudo que ocorre na tela. Beira um documentário, tão crível são as performances dos atores e a montagem das cenas. Seguindo nessa nota de realismo, nem sempre os momentos esperados ocorrem – porque a vida é uma cretina, e não gosta de seguir pelas regras. Assim, o Jeff Bauman torna-se menos adorável do que gostaríamos que ele fosse, menos forte, menos herói, que constantemente queremos ver na tela e nos apegar. Ninguém ali é o herói – todos têm suas falhas, mas, também, seus méritos. O Que te Faz Mais Forte é o estudo de vários pessoas, de suas lutas, personalidades, esperanças e desejos. É um roteiro muito bem tecido e executado.

 

 

As atuações, como mencionei, são excelentes, de cabo a rabo. Não há ponto baixo – há só quem tem mais ou menos tempo na tela. Todos do elenco estão impecáveis em serem pessoas comuns. Parece simples fazer algo assim, mas não é, pois atores tendem a terem um pendor para o exagero, para o estilo, de forma a deixar absolutamente claro o que fazem e sentem seus personagens, e isso mostra que estão atuando. Atuar, sem parecer fazê-lo, é algo muito difícil. Ou nem é, porque todos aqui fazem isso com primor. O Jake Gyllenhaal (Jeff) está, mais uma vez, excelente – é o padrão ouro dele, que quase ninguém em Hollywood consegue ter com a frequência dele. Sentimos a dor, a frustração, as dúvidas, o temor de não saber como lidar com aquela situação toda pela qual o Jeff passa. Tudo isso numa performance, em sua maior parte, bastante quieta, quase sussurrada.

 

Inesperadamente, em pé de igualdade na qualidade, está Tatiana Maslany (Erin Hurley), que faz a outra personagem principal. É uma surpresa para mim porque, tal como para com o diretor, conheço nada do que ela fez anteriormente – ela fez uns filmes, mas sua maior contribuição foi para sérias de TV, e provavelmente isso vai mudar um tanto agora. Porque, como disse, ela está ótima no papel da Erin. Ela não sofre como o Jeff – fisicamente -, porém o peso psicológico do ocorrido é ainda maior nela, pois é isso que a culpa faz.

 

O Que te Faz Mais Forte não é um filme perfeito, pois a vida não o é. Contudo, mesmo com um roteiro que por vezes é “clichê” e em outras, sai das linhas, e que por tanto tempo deixa-o apreensivo, tenso, e sequer dá uma grande liberação de alívio, O Que te Faz Mais Forte vai certamente recomendado, tanto pela história que merece ser vista, quanto pelo primoroso trabalho do elenco, em particular do Jake Gyllenhaal e da Tatiana Maslany. Ainda mais porque, sem participar de algum filme de super-herói, o Gyllenhaal vai continuar parecer estar logo abaixo da superfície do grande público – e ambos certamente merecem encontrar-se mais.

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