Han Solo: Uma História Star Wars faz parte da nova sequência de filmes que buscam reescrever e expandir a história e mitologia do universo Star Wars, e que iniciou-se com o Rogue One. É verdade que, um dia (até 1999) a trilogia do Star Wars (ainda não chamada de “original”) estava em um patamar diferenciado, quase sagrado. De 1977 a 1983 foram 3 filmes. De 2015 a 2018 tivemos 5. Duvido que a Disney esteja muito preocupada com qualquer questão envolvendo o status da série ou fadiga do público – o negócio é ganhar dinheiro, e o Han Solo veio aqui para isso. Agora, há algum mérito na mais nova vaca de grana da Disney?

 

O filme conta a história do Han Solo – não em detalhes, já iniciando no final da adolescência. Depois disso o roteiro segue de maneira atabalhoada em direção a todos os serviços para fãs possível: cenas verdadeiramente inócuas em si obtém peso somente por nós já conhecermos o personagem título, seus companheiros e, principalmente, estarmos ligado a ele pelo carisma e jeitão de anti-herói, que o tornou um dos favoritos da trilogia original (certamente o mais do lado da Rebelião). Momentos pra lá de evidentes que ocorreriam: como a “descoberta” da Millenium Falcon (algo que o Despertar da Força também fez), o encontro com o Chewie (este foi bem feito) e até situações mais bobinhas, como o Chewie assumindo o posto de copiloto, que, como disse, seria basicamente um nada, apenas mais uma cena, porém, sabendo o histórico, adquire gravidade.

 

Infelizmente, é isso. Essa constante busca por “olhe isso, lembram? Massa, né?” é todo o Han Solo. Situações vão ocorrendo sem rima ou razão, imensas coincidências fazem um universo de múltiplos mundos parecer um ovo, e no geral tem-se uma história fraca, de pouca emoção – um problema usual, tratando-se da história de um personagem sobre o sabemos de antemão o destino, assim perde-se muito do drama, a tensão e o suspense. Para contrabalançar isso adicionam-se novos pessoas, a qual devemos nos ligar e importar, de forma que o que ocorra com ela seja de nosso interesse e, assim, torçamos a favor ou contra. Aqui, fora os já tarimbados – Han (Alden Ehrenreich), Chewie (Joonas Suotamo) e Lando (Donald Glover) – entram o Beckett (Woody Harrelson) e Qi’ra (Emila Clarke). Ambos são bons personagens e até seria possível fazer mais com eles, porém acaba-se seguindo pelo óbvio e como ferramentas de roteiro. Uma pena. Até porque o Alden Ehrenreich é apenas ordinário como Han, mas ao menos tenta. O Donald Glover, como Lando, é bom, porém eu esperava mais, pelos elogios que vi aqui e acolá, pois, para mim, ele fica mais na caricatura de um personagem ao invés de ser uma pessoa completa. Joonas Suotamo é o Chewie. O resto são basicamente dispensáveis – camisas vermelhas que estão ali apenas para morrer para mostrar que a situação é perigosa.

 

 

Apesar dos pesares, o outro lado sofre mais. Não há realmente um antagonista de peso, alguém de nos leve a temer pelos envolvidos e pelo resultado das ações. Há uns capatazes sem nome, e o que mais se aproxima do posto é o Dryden Vos (Paul Bettany), que é intrigante e, como outros, poderia fornecer mais ao filme, porém acaba aquém disso – primeiro porque pouco aparece e, depois, por ser simplesmente enrolado por todos o tempo todo – vira mais um paspalho do que um vilão apropriado. Acaba que o principal inimigo é o tempo – sempre precisa-se resolver algo num prazo apertado, ou coisas darão errado.

 

Usualmente a parte técnica dos filmes Star Wars é de excelente a impecável. Quando eu conseguia enxergar direito era assim também no Han Solo, só que, em diversas e longas cenas, era tudo muito escuro, sendo difícil discernir os detalhes do que ocorria. É improvável que o problema seja a sala IMAX, mas vá lá, como não vi o filme em outra situação, pode ser que o ângulo em que fiquei não era favorável. Mesmo assim, escuro demais ao ponto de prejudicar a experiência.

 

No fim, Han Solo: Uma História Star Wars é mais um degrau descido pela série Star Wars daquele posto no Olimpo que um dia ocupou. É um filme de ação ordinário, sem muito estofo e que tenta desesperadamente sustentar-se na base das cenas de serviço para os fãs – e até nisto falha; a cena do sobrenome do Han é… triste; e nem consigo avaliar como a cronologia do tempo e da idade do Han após algo que ocorre no filme. É um filme com uma ambição minúscula demais para uma mitologia tão ampla e poderosa.

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